Uma longa viagem
Naquele dia decidi dedicar-me À fotografia e fui à beira-mar. Tirei fotografias excelentes! Até que na objectiva da máquina Cannon, apareceu-me um rapaz. Vi que era calmo e só a serenidade lhe interessava. Estava com um papel e um lápis na mão, sentado no sítio dos pescadores a olhar para o horizonte.
Não sei o que lhe ia na cabeça, mas notei que ele precisava de um desabafo naquele papel reciclado. Estava super curiosa em ver o tal desabafo no papel, então silenciosamente fui à beira dele sem ele saber, pus-me atrás do rapaz e apontei a objectiva para o papel. Fiz uma fotografia especial e até hoje foi a mais comentada no meu blogue.
Para retratar o desenho era complicado porque só se sentia. Senti a serenidade ao ver as ondas azuis como o céu e um barco a balançar como se fosse uma história. O céu azul sem nuvens transmitia alegria.
De repente, o rapaz disse-me:
- Somos os dois dedicados à arte! Ambos percebemos a arte de sentir e a arte de agir.
Não sei se ele sabia que ali estava, mas ele sentiu alguém ali e chamou-me de arte, a arte de sentir.
- Este desenho tão simples, a carvão, significa tanto! Fomos tão glorificados, adorados e falados em todo o Mundo. Descobrimos o Mundo…- continuava ele.
Parecia que tinha entrado na mente dele e tinha feito a viagem dos portugueses. Sentei-me à beira ele. Imaginamos os dois como se estivéssemos no barco a balançar, a combater os obstáculos, era tudo intenso! Imitávamos os movimentos dos barcos com os braços, para aqui, para ali e de repente, paramos. Paramos com um enorme silêncio com o cansaço da viagem. Olhámos um para o outro e dissemos a sorrir tranquilamente:
-Pfff, chegamos à Índia!

Espero que gostem, cumprimentos Elsa Pinto